• 0

By Redatora Ellune

É mais do que comum nos depararmos com discussões sobre a desigualdade de gênero no âmbito social e, principalmente, profissional. Diferenças salariais, cargos majoritariamente masculinos, ambientes conflitantes, homens no comando e injustiças, são apenas alguns dos vários tópicos abordados nessas questões. Essa desigualdade é real sim, e deve ser abordada, mas será que antes de dizer o que acontece não é preciso entender o porquê?

Nós crescemos com conceitos enraizados de distinção: homens e mulheres são diferentes, logo devem ser tratados dessa forma. Em meio a essas regras, acabamos formando perfis padronizados de comportamento, que foram se repetindo inconscientemente até os dias atuais.

Por exemplo, ensinamos nossas meninas que elas devem se comportar como princesas, brincar de bonecas, usar vestidos e gostar de cor de rosa, porque isso é “coisa de menina”. Que elas devem falar baixo, ser delicadas, frágeis, dedicadas, cuidadosas, agradáveis, obedientes e até damos à elas brinquedos que são réplicas reais de utensílios de cozinha, porque em algum lugar escutamos que meninas devem se comportar dessa forma e pronto.

Por outro lado, os meninos são criados de uma maneira mais bruta. Brinquedos que incentivam a violência e força física, carros, cor azul, esportes agressivos e radicais, fora o estímulo prematuro à vida sexual. Não damos tanta ênfase sobre a importância se de construir um lar, por exemplo, como fazemos com as meninas. Mostramos que eles são os líderes da casa, não podem chorar, demonstrar fraqueza e precisam sustentar a todos, porque isso é “coisa de menino”.

Ao analisar este comportamento percebemos que sua existência atual se deve ao fato de que, no passado, ele tinha uma função e foi sendo reforçado continuamente, sem questionamentos.

Ao chegar na vida adulta, essas crianças, já condicionadas, acreditam que é assim que devem viver, e, de alguma forma, isso se torna um grande influenciador na escolha da carreira profissional. Não é a toa que a maioria das mulheres exercem cargos que estão relacionados ao cuidado pelo outro, que exigem mais delicadeza ou atenção, como psicologia e fisioterapia, por exemplo. Segundo dados do IBGE de 2010, no setor de serviços domésticos há 94,8% de mulheres e apenas 5,3% de homens trabalhando.

O mesmo acontece com os homens, que representam 64% do setor industrial, que é uma área que exige implicitamente esforço físico ou uma certa brutalidade que é mais visível no estereótipo de masculinidade. Antigamente, sempre houve a crença de que sobreviveria aquele que era mais forte, e consequentemente, a ele era atrelado o cargo de liderança devido à essa força. Qual das crianças foi ensinada de forma mais agressiva? Estimulou a força física e liderança? Pois bem.

Ouve-se muito que poucas mulheres trabalham com engenharia ou mecânica, por exemplo, porque elas não têm interesse nessas áreas, mas agora já podemos perceber que não é bem assim que as coisas funcionam. É uma questão enraizada que lhes foi imposta desde muito pequenas. O contrário também ocorre, já que os homens, no geral, não foram criados para compreender que podem gostar de dança ou de cozinhar sem problema algum.

Outro motivo que influencia muito na escolha de profissões popularmente chamadas de femininas ou masculinas, é o ambiente universitário e de trabalho. Lugares majoritariamente ocupados por homens ou mulheres causam um certo tipo de receio e a convivência, muitas vezes, se torna conflituosa. Não apenas por questões de assédio moral ou físico, mas também por um preconceito, muitas vezes inconsciente, em aceitar que o sexo oposto seja tão capaz quanto de exercer aquela função. Quebrar estereótipos, barreiras e linhas de pensamentos condicionadas há tanto tempo é um processo lento, porque nem sempre é claro para as pessoas de onde estes conceitos vem. Repetimos esses comportamentos há tanto tempo que eles nos parecem naturais.

Discutir e compreender o que acontece é importante. É o primeiro passo para que as ideias se transformem em ações rumo a um futuro melhor e mais harmônico para homens e mulheres. Estas ações podem começar dentro da sua casa, com seus filhos. Que tal tentar?

Redatora Ellune
Este artigo foi produzido por uma de nossas redatoras.
Redatora Ellune
About Redatora Ellune
Este artigo foi produzido por uma de nossas redatoras.

Sem comentários

Deixe um comentário

Para enviar seu comentário, por favor preencha corretamente a equação abaixo: *

A diferença de gênero no mercado de trabalho